Anselmo de Cantuária (1033, Aosta – 1109, Canterbury) também conhecido como santo Anselmo, tornou-se monge beneditino aos 27 anos, no mosteiro de Bec, do qual viria a se tornar abade em 1078. Atendendo ao pedido de seus irmãos monges que queriam algo além das Sagradas Escrituras que lhes falassem diretamente à razão, Anselmo escreve em 1077 o Monólogo em que busca explicar a existência de Deus a partir do próprio encadeamento lógico da razão. O sucesso de sua obra foi enorme, mas o próprio Anselmo não ficou muito satisfeito e, anos mais tarde, resolve tornar sua argumentação ainda mais clara e simples. Escreve provas adequadas sobre a existência de Deus. Eis o argumento de Anselmo:
Então, ó Senhor, tu que nos concedeste a razão em defesa da fé, faze com que eu conheça, até quanto me é possível, que tu existes assim como acreditamos, e que és aquilo que acreditamos. Cremos, pois, com firmeza, que tu és um ser do qual não é possível pensar nada maior. Ou será que um ser assim não existe porque “o insipiente disse, em seu coração: Deus não existe”? Porém, o insipiente, quando eu digo: “o ser do qual não se pode pensar nada maior”, ouve o que digo e o compreende. Ora, aquilo que ele compreende se encontra em sua inteligência, ainda que possa não compreender que existe realmente. Na verdade, ter a idéia de um objeto qualquer na inteligência e compreender que existe realmente, são coisas distintas. Um pintor, por exemplo, ao imaginar a obra que vai fazer, sem dúvida, a possui em sua inteligência; porém, nada compreende da existência, porque já a executou. O insipiente há de convir igualmente que existe na sua inteligência “o ser do qual não se pode pensar nada maior”, porque ouve e compreende essa frase; e tudo aquilo que se compreende encontra-se na inteligência. Mas “o ser do qual não é possível pensar nada maior” não pode existir somente na inteligência. Se, pois, existisse apenas na inteligência, poder-se-ia pensar que há outro ser existente também na realidade; e que seria maior.
Se, portanto, “o ser do qual não é possível pensar nada maior” existisse somente na inteligência, este mesmo ser, do qual não se pode pensar nada maior, tornar-se-ia o ser do qual é possível, ao contrario, pensar algo maior: o que, certamente, é absurdo. Logo, “o ser do qual não se pode pensar nada maior” existe, sem dúvida, na inteligência e na realidade. (SANTO ANSELMO. Proslógio. São Paulo: Abril Cultural, 1979, PP. 101-102).
Postado por Marcella
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